O PROJETO
Feito para o torcedor, pelo torcedor, com o torcedor. O Manto da Nação levou ao Flamengo um formato que a End to End já conduz há anos no Atlético Mineiro, com o Manto da Massa: o torcedor desenha, a torcida vota entre dez finalistas e a camisa campeã vai à venda. Três fases, a Nação cria, a Nação escolhe, a Nação veste, e cada uma com um problema diferente para resolver.
Só que era a primeira edição, no clube mais popular do país. Antes de abrir a primeira fase, foi preciso dar um passo atrás e criar o próprio projeto.
FASE 0 — UMA PLATAFORMA PARA DURAR
O naming, a assinatura, o tom de voz e uma marca própria que não muda de edição para edição.
A escuta da torcida apontou o caminho. A camisa do Flamengo não é roupa, é reconhecimento: gola, escudo e listras carregam emoção, e o rubro-negro já comenta, corrige e redesenha o Manto antes mesmo de ser convidado. A torcida já criava. Faltava oficializar.
Daí nasceu a arquitetura: Manto da Nação, com a promessa Do peito pra camisa e a assinatura em três tempos: Desenha. Veste. Honra.
A marca é a tese em forma de desenho. O lettering ocupa o escudo como um peito inflado de orgulho, e a tipografia parece feita à mão: vernacular, de boteco e de bandeirão. Uma marca que diz, antes de qualquer texto, que aquilo é feito pela Nação. E que funciona do patch na camisa ao muro da rua.







FASE 1 — A NAÇÃO CRIA
É o alicerce de tudo. Se não chegarem desenhos suficientes, se a torcida não criar expectativa pelo que vai ser enviado, o projeto não para em pé. A primeira fase precisava transformar um concurso em convocação.
Do peito pra camisa. Orgulho, paixão, grandeza e devoção: tudo o que vive dentro de cada rubro-negro, prestes a ganhar forma num tecido.
Na identidade, a caneta virou protagonista. Apontada para quem vê, ela é o convite e o poder que o projeto coloca na mão do torcedor: deixar de ser espectador e virar autor. Fundo vermelho rasgado por pinceladas pretas, a asa do urubu, ilustrações e lettering à mão se desdobraram em KV, redes, site e OOH, num tom que provoca em vez de pedir. Um concurso tão pesado quanto o nosso Manto. Nosso Manto é tão pesado que só um tipo de pessoa tem moral pra desenhar o próximo: você. Rabiscou, arriscou, golaço!






O lançamento começou com um susto. Pedro publicou um story enigmático dizendo que ia vestir outra camisa, e a torcida entrou em pânico. Pouco depois, o vídeo revelou do que ele estava falando:
Nação. Em breve eu vou vestir a nova camisa da maior torcida do mundo. E ela pode ser criada por você.
O enigma virou notícia nos principais portais esportivos antes mesmo da explicação.

O filme de lançamento, em colagem de ilustração, motion e imagem de arquivo, partiu da relação que cada torcedor já tem com o Manto:
Se você pudesse escolher um Manto... qual seria? O de um título inesquecível? O que virou superstição? Ou o que marcou uma geração?
E virou a chave: a história ganha um capítulo inédito. Uma camisa criada e escolhida pelo torcedor.




Mais de 8 mil desenhos chegaram até o fim das inscrições.
FASE 2 — A NAÇÃO ESCOLHE

Uma curadoria do clube chegou a dez finalistas. E aí começava outro desafio: os desenhos chegavam de todo jeito, de designers profissionais a rascunhos de torcedor. Para a disputa ser justa, a gente equalizou todas as dez num mockup padronizado, resolvendo caso a caso a complexidade de cada arquivo recebido, até que qualquer camisa pudesse ser comparada com qualquer outra.
Depois, era preciso vender cada proposta ao torcedor, independentemente de gosto pessoal ou de nível técnico, e mostrar de forma próxima do real uma peça que ainda não existia. A comunicação foi organizada em três frentes: explicar o processo, apresentar as propostas e mobilizar o voto.
Cada finalista ganhou um filme próprio, construído a partir do conceito que o autor enviou junto com o desenho. Com IA generativa, as camisas foram colocadas em cena antes de serem costuradas: o Prestígio Urbano no Cristo e numa cadeira de praia em Copacabana, a Noite Eterna sob o céu estrelado, o Urubu de Lima de pé no deserto. Todos com o mesmo formato, a mesma duração e o mesmo cuidado. Foi mais uma forma de equilibrar a disputa: quem desenhou como profissional e quem desenhou como torcedor tiveram a mesma vitrine.
O filme de abertura da votação seguiu uma regra rígida: nenhum fragmento das finalistas aparece antes da revelação, e cada uma das dez entra com o mesmo tempo, a mesma escala e o mesmo tratamento.
A Nação desenhou. Chegou a hora de escolher. 10 Mantos. 10 ideias. 10 jeitos de vestir o Mais Querido. De rubro-negro pra rubro-negro.
Urubu Rei, Bruno Gondim
Pluma, Vitor Ferrara
É Urubu, Antonio Rodrigues
Força da Natureza, Luiz Gomes
Manto Real, Marcos Junior
Prestígio Urbano, Adam Costa
Respeita o Rei, Daniel Barbosa
Traços de uma Nação, Stephany Dalzisa
Noite Eterna de Lima, Alison Douglas
Urubu de Lima, Marcelo Gluz (campeã)
Com a votação aberta, a campanha ganhou uma meta coletiva. O Guinness World Records lançou o desafio de transformar o Manto da Nação no concurso de desenho de camisa esportiva com maior participação popular do mundo. E quem recebeu a carta foi o Zico.
Que tal colocar essa mobilização no Guinness World Records? 100.000 votos tornam este o maior projeto de camisa criada por torcedores.
Zico abaixa a carta e responde à altura:
Nação, pra gente isso é pouco, né? Vou mandar dobrar.
Em seguida, o próprio Zico votou e convocou a Nação a fazer o mesmo. O recorde chegou como consequência do tamanho da participação, sem tirar o protagonismo dos Mantos.
Mais de 100 mil votos, de rubro-negros em mais de 120 países. O certificado do Guinness foi entregue ao Zico, na sede do clube.
FASE 3 — A NAÇÃO VESTE
A fase mais difícil é virar a chave da noite para o dia. Fechou a votação, toda a comunicação precisa mudar de assunto: novo conceito, nova identidade visual construída a partir do desenho vencedor, filme de lançamento e régua completa de vendas. Por isso, a votação foi monitorada o tempo todo e a comunicação ficou engatilhada. Quando uma camisa abriu margem de vantagem, momentos antes da revelação, o mergulho foi total nela.
E tudo isso para vender uma camisa que ainda não foi confeccionada. O torcedor precisa se encantar com o que está vendo, ser tomado pela história e comprar.
A camisa campeã: Urubu de Lima, do designer e torcedor carioca Marcelo Gluz. O desenho leva o urubu aos traços dos geoglifos de Nazca e veste a cidade onde o Flamengo foi campeão da Libertadores em 2019 e em 2025. O conceito já chegou pronto. Nosso trabalho foi transformar a ideia em mito.
A identidade da fase saiu do próprio desenho: tons de areia, cobre e terra, o relevo do deserto, um lettering serifado e clássico com assinatura manuscrita, e fotografia de torcedores vestindo o manto entre a cidade e o deserto.





A PROFECIA DA NAÇÃO
Primeiro, a Nação desenhou. Depois, escolheu qual história queria ver no Manto. E a escolhida chegou carregando Lima, duas Libertadores e tudo o que ficou marcado por lá. Os símbolos, as datas e a paisagem não entrariam como detalhe: entrariam como mística.
A narrativa: uma entidade adormecida havia dois mil anos no deserto peruano, despertada pela Nação em Lima, em 2019, e revelada por inteiro em 2025. El Buitre Limeño, o urubu que profetiza glória. Desde então, todas as finais disputadas ali são rubro-negras.
Há mais de dois mil anos, os Nazcas deixaram sinais no deserto. Ritual. Aviso. Durante séculos, ninguém soube.
O filme de lançamento foi feito inteiramente com IA generativa, e começou muito antes da primeira geração. Uma etapa longa de pesquisa sobre os geoglifos, o deserto de Nazca e cada símbolo que Gluz colocou na camisa virou o roteiro de um mito: Inti, o deus sol; a mascapaicha; o maíz, o milho peruano; os losangos sagrados dos tecidos andinos; a estrela de oito pontas da bandeira de Lima; o próprio Monumental.
A estrutura do filme é a camisa. Cada símbolo aparece primeiro no mundo, seja o sol nascendo atrás das montanhas, o milho caindo sobre a terra ou a trama de um tecido ancestral, e num corte seco reaparece no tecido, no lugar exato em que está na estampa. Quando o filme chega ao Flamengo em campo em 2019 e 2025, com bullet time e sobrevoos de drone, a pedra do deserto vira areia, a areia vira fibra, e o traço do urubu continua sobre a trama até o manto ser vestido pelos atletas.
Por trás de tudo, uma modelagem 3D da camisa serviu de base para as gerações em IA e para as peças de comunicação, garantindo que o manto fosse o mesmo em cada cena e em cada ponto de contato.
Por trás do filme, uma teia no Spaces do Magnific: cor, ambiente, cenas e camisa organizados em centenas de gerações interligadas, até cada cena encontrar o tom certo.
A direção de cena começou na imagem parada. Cada key frame foi composto e dirigido antes de virar movimento, do deserto ao Monumental, do geoglifo que anuncia a promessa ao 2019 e ao 2025 gravados no tecido. A direção de arte amarrou tudo com um color grading único, terroso e dourado, para que cenas geradas separadamente parecessem um só filme. Foram dezenas de gerações por take até chegar na montagem final, com edição dinâmica, trilha e locução épica.









Seis anos depois, Lima tremeu outra vez. E o mistério se revelou por inteiro. El Buitre Limeño. O urubu que profetiza glória.
Porque se a gente não pode jogar sempre em Lima... Lima pode jogar sempre com a gente.
A régua de vendas seguiu o mesmo tom, sem perder o objetivo: Vista o manto de milhões. 45 milhões, pra ser mais preciso. 2019 e 2025 já estão na camisa. O próximo número pode ser o do seu pedido. A Nação escolheu o Manto. Agora, você só precisa escolher o tamanho.
A VERSÃO QUE NÃO ESTAVA NO PLANO
Durante a campanha, a torcida pediu uma versão rubro-negra. O clube atendeu, e a história precisava explicar uma camisa quase toda preta. A resposta foi um novo capítulo do mito: em 2019, com o Flamengo perdendo de 1 a 0 para o River Plate nos minutos finais, o Urubu de Lima sobrevoou o Monumental e cobriu o céu. Um eclipse. E veio a virada.
Por isso o manto é negro, com detalhes em vermelho.




RESULTADOS
- Guinness World Records: o concurso de desenho de camisa esportiva com maior participação popular do mundo
- +8 mil desenhos enviados
- +100 mil votos de rubro-negros em mais de 120 países
- +50 mil camisas vendidas em poucos dias de venda, em edição limitada
- Duas versões no mercado: a original e a rubro-negra, criada a pedido da torcida
