CONTEXTO & DESAFIO
O Manto da Massa nasceu em 2020 com uma premissa simples e uma execução nada simples: o torcedor desenha, a torcida vota e a camisa vencedora vira produto oficial do Atlético. A End to End está no projeto desde a primeira edição, e o concurso entrou para a cultura atleticana. Em uma semana, o primeiro manto vendeu 100 mil camisas. No ano seguinte, mais de 120 mil.
Esse histórico vira pressão. A cada ano, o Manto precisa ser novo de novo: tema, identidade, filme e régua de vendas criados do zero, para uma torcida que já conhece as regras do jogo e espera ser surpreendida. E há um desafio que só esse formato tem: a campanha precisa nascer duas vezes. Primeiro no lançamento do concurso, quando ninguém sabe que desenho vai vencer. Depois da votação, quando a escolha da torcida precisa virar conceito, mesmo quando foge do óbvio.
A CORRIDA CONTRA O CALENDÁRIO
Cada edição tem três fases, e cada virada entre elas acontece em dias, às vezes em horas.
Na convocação, as inscrições ficam abertas por poucas semanas, e a campanha precisa transformar um regulamento em vontade de desenhar. Na votação, treze finalistas disputam a torcida em cerca de uma semana, e a comunicação precisa tratar todas com o mesmo peso. Na consagração, a vencedora é revelada e as vendas abrem praticamente no mesmo movimento, numa régua escalonada por plano de sócio: primeiro o Galo na Veia Forte e Vingador, depois os demais planos, por último o público geral. O Manto também é ferramenta do programa de sócio-torcedor.
Não existe tempo para criar a consagração depois do resultado. Por isso a terceira fase é desenhada antes de se conhecer a vencedora: território, tom, estrutura de peças e de filme ficam engatilhados, e o desenho escolhido entra como a peça que faltava. Tudo isso com a campanha inteira executada nas redes sociais.
INSIGHT
Camisa colaborativa não é produto, é conversa. Se o clube provoca certo, a torcida responde com algo maior do que qualquer briefing conseguiria.
CONCEITO
Cada edição ganha um território emocional próprio, e as três fases contam a mesma história: a convocação, que abre o concurso e dá ao torcedor um motivo para desenhar; a votação, que transforma os finalistas em disputa; e a consagração, que amarra a camisa vencedora ao território, seja ela qual for.
EDIÇÃO 2023 — SÃO VICTOR
Fase 1 — A convocação
Em 2023, o Milagre do Horto completava dez anos: a defesa com o pé esquerdo de Victor, nos acréscimos das quartas de final da Libertadores de 2013, contra o Tijuana, que transformou o goleiro em santo para a torcida. O tema trouxe também uma novidade de formato: pela primeira vez, o Manto da Massa seria uma camisa de goleiro.
A campanha abriu com um teaser de imagens misteriosas e as coordenadas de GPS do Independência, palco do milagre. A direção de arte foi buscar a linguagem da arte sacra: preto e dourado, auréola sobre o manto, serifas clássicas, o terço, páginas de escritura como textura e Victor em pleno voo, como imagem de devoção. Manto da fé, da Massa, da sua paixão. Nosso santo merece um manto à altura.





O filme de lançamento revive aquela noite pelos rostos da arquibancada: mãos em oração, olhos fechados, a angústia antes da cobrança e a explosão depois da defesa. E convoca:
A sua fé transformou um homem em santo. É hora dela ser transformada no nosso Manto.
Fase 2 — A votação
Foram 544 projetos enviados. Uma primeira triagem chegou a 101, e uma comissão com mais de 30 pessoas escolheu os 13 finalistas que foram para a votação popular.
Fase 3 — A consagração
A torcida escolheu uma camisa vinho, longe do preto e branco do clube, desenhada por Isabella Farinelli, a primeira mulher a vencer o Manto da Massa. No peito, o patch do Santo Victor com o "Milagre de São Victor, 10 anos". Na nuca, a imagem da defesa. Nas mangas, as coordenadas do Independência.
Em vez de explicar a cor, a campanha fez dela argumento: o vinho das vestes de sacerdote, do martírio e da salvação. A identidade subiu ao céu, com nuvens, colunas e luz de pintura barroca, e a assinatura fechou o ciclo aberto na convocação: Do santo, do milagre, da Massa!



EDIÇÃO 2024 — EU ACREDITO
Fase 1 — A convocação
Na quinta edição, o tema foi a própria torcida, e o ponto de partida foi o grito que virou identidade atleticana: Eu acredito. Se o Manto era da Massa, a campanha precisava falar a língua da rua. A direção de arte foi buscar o grafite dos muros de Belo Horizonte: spray, pincel seco, lettering à mão, alto contraste em preto e branco, o galo pintado na empena de um prédio. A torcida aparece pelo que tem de mais físico: a boca aberta no grito, o escudo tatuado nas costas. Desenhe o próximo manto. Uma camisa com o jeitin da Massa. Manto com a cara do Galo.








O filme abre com o Eu acredito em letras de ouro, leva o galo grafitado para um bandeirão na arquibancada, revisita a evolução do escudo e termina na promessa da edição: a torcida eternizada na camisa.
A edição também trouxe o Zé Delivery como parceiro: quem votava ganhava um cupom, e quem comprava a camisa, outro.
Fase 2 — A votação
Inscrições abertas por menos de duas semanas, de 17 a 28 de junho. Depois, um comitê com SAF, associação, fabricante e agência escolheu os 13 finalistas, e a votação popular aconteceu de 3 a 9 de julho.
Fase 3 — A consagração
Pelo calendário, a votação terminou num dia e as vendas abriram no seguinte. A campanha da consagração chegou pronta para receber o desenho escolhido, e a camisa virou o manto com a identidade da Massa. A identidade trocou o grafite da convocação por preto, branco e dourado, com molduras clássicas e linhas finas que lembram curvas de nível, como a digital de uma torcida inteira.







O filme de consagração fechou o ciclo que o Eu acredito abriu:
O que realmente leva o Galo às vitórias é a nossa fé. Quem realmente leva o Galo aos títulos é a Massa. E esse é o manto com o nosso DNA.
RESULTADOS
- +400 mil camisas vendidas em 5 edições
- +120 mil camisas em uma semana na edição de 2021
- 100% da campanha executada nas redes sociais
